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SSMA – A Multidisciplinaridade tem que existir!

Por Marco Albuquerque, Consultor da KAMINARH Consulting

Tenho acompanhado com muita satisfação o atendimento aos requerimentos legais e uma maior pressão externa, por parte das organizações multinacionais que operam direta ou indiretamente no Brasil, em relação as áreas de Saúde, Segurança e Meio Ambiente – SSMA.
Podemos generalizar e afirmar que da última década do século passado para hoje as demandas tem crescido vertiginosamente, com respostas mais acentuadas de alguns setores, dentre eles Oil & Gas, visando a preocupação dos impactos ambientais e Construção com foco na legislação trabalhista, que passa a ter pulso mais cada vez mais pesado frente a cenários de acidentes e incidentes. Outros segmentos, de uma forma mais tímida, respondem a estas tendências e começam a admitir requerimentos e exigências mais representativas com resultados mais aparentes. É certo que podemos até questionar a velocidade de resposta das empresas, porém os ganhos já começam a ser percebidos nas estatísticas de acidentes e seus impactos a partir do trilhar de uma postura mais cidadã e socialmente responsável.
Se por um lado é facilmente percebido o crescimento estratégico do setor de SSMA nas estruturas da governança corporativa, por outro vivemos uma dualidade já conhecida por todos na organização e que tem suas origens acadêmicas, que é o equilíbrio entre a competência técnica e a competência em gestão. Precisamos estar atentos e entender que nesta área, como também em outros setores, as demandas técnicas e de gestão, devem ser trabalhadas concomitantemente e muitas vezes precisamos buscar em diferentes profissionais, que possuidores do conhecimento necessário, tem habilidades diferentes e que possam se complementar na entrega dos resultados esperados. O ideal seria reunirmos em um só profissional, todas estas potencialidades, mas sabemos o quanto isto se torna difícil quando as demandas administrativas devem ser tão efetivas como uma norma ou um procedimento.
Os Engenheiros e Técnicos de Segurança devem ter uma contribuição marcante, especialmente quando tratamos as questões de ordem técnica de cada operação. Devem organizar o design e a metodologia do projeto, a entrega faseada do produto final, com o cumprimento de todos os requerimentos que garantam, com a esperada tolerância zero, o atendimento as normas regulamentadoras e a manutenção da vida. Porém, as demandas organizacionais hoje existentes possuem uma maior capilaridade e buscam identificar e desenvolver ferramentas de monitoramento das ameaças e riscos, implementando padrões culturais e de comportamento, trabalhando as diferentes competências, bem como ações para atendimento pós ocorrências, nas mais diversas linguagens existentes graças aos diferentes tipos de públicos envolvidos, definindo um perfil que necessariamente vão além do que hoje as Instituições acadêmicas têm oferecido em suas grades curriculares e conteúdos programáticos para estas formações técnicas específicas.
É muito comum, mais do que possam pensar, encontrarmos empresas que atendem aos requisitos legais, apresentando em suas estruturas um Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho, estabelecido pelo artigo 162 da CLT – Consolidação das Leis do Trabalho e regulamentado pela NR04 – Norma Regulamentadora 04 e não estarem alinhados através de indicadores chave de Desempenho, minimamente satisfatórios em SSMA, para as perspectivas de valores corporativos típicos de uma grande organização.
Aonde está o problema? Porque eu não consigo reduzir os acidentes de trabalho? A resposta a estas indagações certamente será encontrada no necessário alinhamento da área em questão com a gestão estratégica do negócio e principalmente na gestão do capital mais importante da empresa: O Capital Humano! Fundamental para o sucesso desta jornada.

Escrito por Marco Albuquerque, executivo com experiência em empresas como Shell, BAT, BP, Unimed e Citibank.